25/08/15

A parte boa de crescer


Lembro-me que quando era criança as coisas eram mais simples. Uma manhã inteira de desenhos animados e uma lata de bolachas faziam as minhas maravilhas. Ou as brincadeiras infindáveis com peluches e Polly Pockets. O maior problema na altura seria apenas os trabalhos da escola ou o facto da colega x ou y ter sido uma pequena besta. No big deal

Estávamos na década de 90 e toda a gente se lembra do que era ser criança na altura. Tralhas como os tamagotchis, as cartas do Pokémon, os pega-monstros, eram quase um must have. Novo século e entramos na adolescência. Ficamos convencidos que é das melhores fases da vida, mas não é. Pelo menos, a minha não foi. Esta fase resumiu-se a ataques de acne, problemas de confiança, amores não correspondidos... you name it. Estão a ver aqueles filmes de domingo à tarde onde a protagonista é um "patinho feio" mas depois no fim se revela ser um belo "cisne" e fica com um gajo todo bom? Pois, atrevo-me a dizer que só cheguei à parte do cisne anos mais tarde. 

Acaba-se o liceu e entra-se num novo Mundo: a Faculdade. Confesso que quando pus os pés pela primeira vez na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa fiquei deslumbrada, foi quase como entrar em Hogwarts (excluindo a parte do banquete e o facto do pavilhão estar quase a desmoronar-se). Foi a fase mais tranquila da minha vida e também o primeiro passo para "ser um cisne". Tinha eu 17 anos e trazia comigo um monte de incertezas. Porque a verdade é esta: somos forçados a escolher muito cedo. No 9º ano, no meu caso, com 14 anos escolhemos a área que queremos seguir (no meu caso, não foi díficil, era uma naba com números e desenhos, restando portanto a área das Humanidades que adorava) e três anos depois decidimos em que é que nos queremos formar. Piece of cake. É claro que aquilo que estudámos não nos define, mas é impossível voltar atrás sem perder um ano aqui e acolá. 

Ora, encontravámo-nos no ano de 2012 (dizem que era o ano do Apocalipse, pois claro...) e saí da bolha académica para enfrentar uma nova realidade: o mercado de trabalho. Foi aí que as coisas mudaram. Para melhor claro. Não foi fácil encontrar algo, mas quando isso aconteceu, cresci. Sobretudo pelas pessoas que entraram na minha vida. Era aqui onde queria chegar: sim, às vezes sinto falta da simplicidade das coisas quando se é criança, mas não trocaria esta independência por nada deste mundo. Mesmo com as mil e uma angústias por que temos de passar quando somos adultos. Uma das coisas fundamentais que adquirimos com o tempo é a filtrar aquilo que é realmente importante e aquilo que não é. Aqueles que interessam e aqueles que não interessam para nada. 

Como disse, eu cá não sofro de síndrome de Peter-Pan. O que sou agora vale mais, apesar de ainda adorar comer bolachas à frente da televisão. 

5 comentários:

  1. Há dias em que gostava de voltar atrás, de mergulhar nessa simplicidade que era ser-se criança. Mas gosto muito do agora, das novas experiências que a vida tem para nos oferecer. Vivemos fases e temos que nos saber adequar a todas elas. E é bom quando estamos tão bem resolvidos connosco que sabemos desfrutar de cada novo dia, mesmo quando se apresenta cinzento.

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  2. Vamos modificando-nos, amadurecendo e isso traz a confiança que durante anos nunca tivemos em nós mesmos :)

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  3. Ao longo da vida sofremos transformações que nunca imaginamos.

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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